Quem passou pela Cinelândia em setembro viu a praia virar outra coisa: quadras de areia enfileiradas, camarote, LED na quadra central, bandeiras e gente de fora falando outros sotaques. Era o BT200 Aracaju, etapa do circuito mundial de beach tennis, de 14 a 20 de setembro.

Três dias depois do fim do torneio, dois dos organizadores sentaram na mesa do PodConectar, o podcast da Netiz, pra contar o que o público não vê.

Neste resumo você vai entender o que significa “BT200”, quanto trabalho existe por trás de uma arena mundial montada na areia, o que a arbitragem achou da internet e quem são os sergipanos que fizeram história no torneio.

O BT200 Aracaju é uma etapa do circuito mundial de beach tennis da ITF, disputada na Praia da Cinelândia de 14 a 20 de setembro de 2026. O nome indica que o campeão soma 200 pontos no ranking mundial. No PodConectar #86, os organizadores Luiz Loeser e Jonas Figueiredo Moura contaram os bastidores do evento.

Principais pontos do episódio

  • “BT200” quer dizer que o campeão leva 200 pontos no ranking mundial, e o Brasil só tem oito torneios desse nível por ano, segundo Luiz Loeser.
  • A estrutura na Cinelândia teve mais de 1.000 m² de área construída provisória, levantada em 12 a 13 dias, de acordo com os organizadores.
  • Segundo Luiz, a planilha do evento passou de R$ 1 milhão, com mais de R$ 100 mil em premiação, igual para as categorias masculina e feminina.
  • As duplas sergipanas de 15 a 17 anos fizeram história: Fernandinho e Marcelinho furaram o qualifying do BT200, e Nina e Raíssa venceram a primeira rodada.
  • A organização já começou a preparar o BT200 Aracaju 2027 e promete novidades.

Onde assistir e ouvir o PodConectar #86?

O episódio completo está no YouTube da Netiz e no Spotify. No vídeo, a conversa começa em 7min15s (antes disso é a abertura da live).

Assista ao PodConectar #86 no YouTube (começa em 7min15s)
Ouça no Spotify

O episódio 86 foi gravado ao vivo em 23 de setembro de 2026, no Buzzine Studio. No comando, Kayo Silva. Na mesa, dois dos quatro organizadores do BT200 Aracaju:

  • Luiz Loeser, empreendedor e gestor à frente da Arena Calu, em Aracaju, espaço que reúne beach tennis, tênis, vôlei e gastronomia.
  • Jonas Figueiredo Moura, formado em Design e em Direito, responsável por planejamento, patrocínios e articulação com empresas e poder público.

A organização do torneio se completa com Gustavo, irmão de Jonas e diretor do evento, e o professor Noelson. Foram os dois que tiveram a ideia original.

Se você não tem 1h15 livre agora, os principais momentos estão logo abaixo, com a minutagem pra você pular direto pro trecho que interessa.

O que é o BT200 e por que Aracaju sediar um é raro?

O número no nome diz quantos pontos o campeão soma no ranking mundial: no BT200, são 200. “A escala vai descendo para vice, semifinalistas, quartas de final”, explicou Luiz [29:50].

O circuito mundial da ITF, a Federação Internacional de Tênis, começa no BT10 e vai subindo: BT50, BT100, BT200, BT400 e, acima deles, eventos que acontecem pouquíssimas vezes por ano. Quanto maior a pontuação, menos torneios daquele nível existem. Segundo Luiz, o Brasil tem só oito BT200 por ano.

Na semana do evento, a areia da Cinelândia recebeu três níveis de disputa:

  1. BT10 na segunda-feira;
  2. BT50 na terça e na quarta;
  3. BT200 a partir de quinta.

A edição de Aracaju ainda teve um reforço chamado “H+T”, de hospedagem e transmissão. Com ele, contou Luiz, o torneio passa a valer como um BT230, ou seja, 30 pontos a mais para o atleta que está fazendo conta pra subir no ranking [30:51]. A hospedagem ficou com o Hotel Vidam, e a transmissão, com a PlayBT, canal especializado em beach tennis.

E tem um detalhe que mostra o nível da organização sergipana. “Geralmente a organização começa com um BT50, para sentir a capacidade. A gente já começou com um BT100”, lembrou Jonas [33:35]. No ano seguinte veio o BT200, e em 2026 o BT400 chegou a ser oferecido, segundo ele.

Por que os atletas escolhem a dedo: o ranking soma só os 10 melhores resultados de cada atleta no ano. Um BT200 bem organizado atrai quem precisa de pontos, e isso eleva o nível das partidas.

Como se monta um torneio mundial de beach tennis na Cinelândia?

Com muita gente, muito poste e quase um mês de obra. A montagem começou em 29 de agosto, e no dia da gravação, 23 de setembro, a desmontagem ainda estava rolando.

Organizador do BT200 Aracaju gesticula enquanto conta os bastidores do torneio no PodConectar #86, com a câmera de gravação em primeiro plano
Gravação do PodConectar #86, no Buzzine Studio. Foto: Netiz / PodConectar

Os números abaixo foram citados pelos organizadores no episódio:

BT200 Aracaju 2026 em números

Dado Número Quem contou
Área construída provisória mais de 1.000 m² Luiz Loeser [34:08]
Quadras levantadas na areia 20, em 12 a 13 dias Luiz Loeser [34:08]
Quadras com internet todas as 24 Jonas Figueiredo Moura [35:03]
Postes instalados cerca de 100 Luiz Loeser [1:00:18]
Atletas quase 700, com mais de 1.000 inscrições Luiz Loeser [49:51]
Premiação mais de R$ 100 mil, igual para masculino e feminino Luiz Loeser [45:26]
Orçamento do evento planilha acima de R$ 1 milhão Luiz Loeser [45:26]
Bolas usadas cerca de mil Luiz Loeser [51:09]

A Prefeitura de Aracaju, que apoiou o evento pela Secretaria da Juventude e do Esporte, informou atletas de 15 estados e cinco países.

O bastidor mais marcante veio do Jonas [1:16:04]. Quando o trator começou a passar na areia, a equipe achou vidro, muito vidro: a região é ponto de festas e de Réveillon. Foram mais de 300 pedaços recolhidos. Mesmo assim, ele não dormiu tranquilo. Com os profissionais já jogando e o amador começando na quarta, pediu uma segunda passada. “Teve um custo a mais, mas imagina alguém pular para pegar uma bola e tomar um corte.” Ninguém se cortou.

Luiz também destacou uma novidade que deu uma folga à equipe de montagem: este ano teve máquina pra cavar os buracos dos postes. Nos anos anteriores, era na enxada.

Como foi a internet no BT200 Aracaju?

Pelo relato dos organizadores, ninguém precisou lembrar que ela existia. A Netiz patrocinou o evento e conectou a arena inteira: público, bastidores, arbitragem e a equipe de transmissão.

A diferença apareceu justamente em quem trabalha com o sinal o tempo todo. A arbitragem usa um aplicativo pra gerenciar o torneio, e no ano anterior o pessoal precisava ir até a mesa de arbitragem pra conseguir sinal. Este ano, contou Jonas [35:03], as 24 quadras tinham internet, e o comentário foi outro: “Rapaz, o pessoal da internet investiu, deu pra ver os pontos que vocês colocaram.”

Os dois organizadores do BT200 Aracaju sorriem durante a conversa no estúdio do PodConectar
Luiz Loeser e Jonas Figueiredo Moura no PodConectar #86. Foto: Netiz / PodConectar

Pra transmissão ao vivo, a régua é ainda mais alta. Luiz resumiu assim [53:35]:

“O pessoal da transmissão só tem duas preocupações: energia e internet. Quando eles chegaram e conectaram, estava perfeito. A internet a gente só percebe quando dá problema — e a gente não percebeu problema nenhum.”

Kayo explicou no episódio que evento pede outro tipo de estrutura: são equipamentos pensados pra conectar muita gente ao mesmo tempo, até mil pessoas simultâneas, segundo ele, e não um roteador de casa [53:10]. Também contou que, quando a transmissão precisou de um ajuste, a equipe técnica chegou em menos de 30 segundos [35:23].

É o mesmo tipo de estrutura que a Netiz oferece para empresas e eventos, com fibra óptica 100% sergipana.

Quem são os sergipanos que fizeram história no torneio?

Quatro atletas de 15 a 17 anos, jogando contra adversários de 30, 35 anos. Luiz contou os resultados com orgulho [1:06:36]:

  • Fernandinho e Marcelinho furaram o qualifying do BT200, algo que ele chamou de histórico, e foram a dupla sergipana que chegou mais longe no torneio.
  • Nina e Raíssa venceram a primeira rodada do BT200, o que nunca tinha acontecido com atletas sergipanas.

“O que esses garotos fizeram foi coisa de cinema”, resumiu Luiz. Pra ele, esse é um dos maiores ganhos do evento, além do turismo e da economia: dar a atletas da casa a chance de ganhar confiança e pontos no ranking, que abrem portas em chaves principais de outros torneios, no Brasil e fora dele.

Jonas completou com um ponto que faz pensar [1:09:37]: hoje esses jovens disputam um torneio desse nível praticamente uma vez por ano. “Imagina jogando 10 por ano, sem a pressão de ser o único.”

A renovação também apareceu entre os profissionais. Luiz lembrou que, em 2023, com 30 anos, era um dos mais novos do circuito profissional. No BT200 deste ano, disse ele, o clima entre os atletas era tão jovial que “parecia que a gente estava nos Jogos Escolares” [22:09].

E teve o lado família, que rendeu um dos trechos mais bonitos do episódio [24:27 a 29:14]: pais torcendo pelos filhos na beira da quadra, filhos torcendo pelos pais, e o amigo do Jonas que voltou a treinar às pressas porque o filho se inscreveu no campeonato e queria jogar com ele. “Qual o ambiente para o qual o filho convida o pai? Ele não vai convidar o pai para uma festa”, disse Luiz.

O que o evento deixa para Aracaju?

Mais do que a semana de jogos. Segundo os organizadores, a Cinelândia foi devolvida melhor do que foi recebida [1:19:41]:

  • 10 kits de redes oficiais do evento entregues à Prefeitura de Aracaju, pela Secretaria de Esporte, para projetos na própria Cinelândia e em comunidades como o Bugio;
  • nivelamento das quadras de areia com maquinário antes do torneio;
  • no ano anterior, a troca dos eucaliptos das quadras de futevôlei da região.
Organizadores do BT200 Aracaju ao microfone no PodConectar #86, falando sobre o que o evento deixa para a cidade
O legado do BT200 Aracaju foi um dos assuntos do episódio. Foto: Netiz / PodConectar

Luiz aproveitou pra deixar um recado sobre o entorno da praia depois de um domingo movimentado: “Se o cara leva, o cara traz.” E Jonas fechou: “Nosso evento só termina quando entregamos a nossa parte da Cinelândia toda limpa.”

Teve impacto nas redes também. Com um minidocumentário feito com atletas profissionais, que nem estava no plano, a página do evento saiu de um patamar de 50 mil para 1 milhão de visualizações em uma semana, segundo Luiz [1:01:22].

O que vem aí no BT200 Aracaju 2027?

A preparação já começou. “A gente vai começar o BT200 2027 na semana que vem”, disse Luiz [44:42]. O aprendizado do ano anterior foi não esperar o descanso.

Subir para BT400 ainda esbarra no custo: só em premiação e arbitragem, seriam cerca de R$ 250 mil a mais, segundo Luiz [45:26]. Jonas lembrou que a estrutura entregue este ano já cumpre as exigências de um BT400, e que a escolha foi fazer “um BT200 que é um dos melhores do Brasil” em vez de crescer sem conseguir manter o padrão [48:43]. O spoiler oficial ficou em “teremos novidades no próximo ano”.

Pra quem é de empresa, o recado foi direto: a prospecção de patrocínio começa no fim de outubro, e o contato é o Instagram @bt200aracaju.

E o PodConectar também assumiu um compromisso: no ano que vem, um episódio antes do evento, com um atleta na mesa [1:22:34].

Perguntas frequentes sobre o BT200 Aracaju

O que significa BT200 no beach tennis?

BT200 é uma categoria de torneio do circuito mundial de beach tennis da ITF em que o campeão soma 200 pontos no ranking mundial. Vice, semifinalistas e quartas de final recebem pontuações menores. Segundo Luiz Loeser, organizador do BT200 Aracaju, o Brasil tem apenas oito torneios desse nível por ano.

Quando e onde aconteceu o BT200 Aracaju 2026?

O BT200 Aracaju 2026 aconteceu de 14 a 20 de setembro, na Praia da Cinelândia, em Aracaju, Sergipe. A semana começou com o BT10 na segunda-feira e o BT50 na terça e na quarta. A disputa principal, o BT200, foi de quinta a domingo, com transmissão da PlayBT.

Quem organiza o BT200 Aracaju?

O BT200 Aracaju tem quatro organizadores: Gustavo, diretor do torneio, o professor Noelson, Jonas Figueiredo Moura e Luiz Loeser, da Arena Calu. A Federação Sergipana de Tênis é a realizadora, e a CBT chancela o evento. Governo de Sergipe e Prefeitura de Aracaju apoiaram a edição 2026.

Quanto custa começar a jogar beach tennis em Aracaju?

Segundo Luiz Loeser, dono da Arena Calu, há raquetes a partir de R$ 450, e as mais caras passam de R$ 3.000. A quadra tem ticket médio de cerca de R$ 90 por hora; dividindo entre seis pessoas, cada uma paga de R$ 15 a R$ 20 para jogar. Iniciante não precisa da raquete mais cara.

Qual a idade para jogar beach tennis?

Nas arenas de Aracaju, segundo Luiz Loeser, há jogadores de 12 a 70 anos, com maior concentração entre 20 e 40. A bola mais lenta ajuda o iniciante a trocar bola já na primeira aula. O único ponto de atenção citado é para quem tem problema ortopédico, por causa da instabilidade da areia.

Vale ouvir o episódio inteiro?

Vale, principalmente se você viu a estrutura na Cinelândia e ficou curioso. O PodConectar #86 mostra que um torneio mundial em Aracaju é feito de planilha, poste, trator, patrocínio conquistado reunião por reunião e muita gente da terra acreditando no projeto. Ser feliz é bem assim.

Dá o play no episódio completo no YouTube ou ouça no Spotify. E se a sua empresa vai fazer um evento e precisa de internet, conheça as soluções da Netiz para empresas.

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Fontes consultadas